sábado, 1 de maio de 2010

Reportagem sobre a Carta de Pero Vaz de Caminha

Terra à vista!
Frota portuguesa descobre ilha ao oeste da África

Ilha de Vera Cruz. Esse foi o nome dado pelo capitão Pedro Álvares Cabral às terras recém-descobertas por ele e sua tripulação na tarde de quarta-feira, 22 de abril. A ilha, encontrada quase que por acaso durante uma expedição as Índias Orientais, fica 3.600km ao oeste da costa africana.

“Durante dois dias nos deparamos com sinais claros de terra à vista, até que, no dia 22, encontramos Vera Cruz. Primeiro avistamos um grande monte, depois algumas serras mais baixas, e por fim, uma praia”, contou o capitão-mor da esquadra, Pedro Álvares Cabral. A expedição saiu de Belém, em Lisboa, no dia 9 de março, com uma tripulação de 1500 homens divididos entre 13 embarcações.
As novas terras impressionam pelo tamanho, e principalmente por seus recursos naturais. “Vera Cruz parece ter uma grande extensão, além de uma quantidade abundante de água, o que nos leva a crer que é uma terra muito fértil, onde tudo que se planta, dá”, descreveu o escrivão oficial da frota, Pero Vaz de Caminha.

Os Nativos
O choque cultural e a dificuldade de comunicação marcaram o primeiro contato entre a frota portuguesa e os habitantes de Vera Cruz. ”Encontramos cerca de 20 homens na praia. Todos eles eram pardos, traziam arcos e flechas e andavam nus! Realmente era muito complicado entender o que diziam, mas pareciam pacíficos, pois abaixaram as armas logo quando pedimos”, contou o capitão Nicolau Coelho, quem inspecionou o lugar pela primeira vez.

Para o Padre Frei Henrique, não foi o acaso que levou a frota de Cabral a aportar em novas terras, e sim, o destino da coroa portuguesa de salvar esse povo. “Deus nos enviou aqui para cuidarmos dessas pobres almas. Eles são muito inocentes e não entendem nada sobre crença alguma. Mas acredito que com nossa ajuda irão se tornar bons cristãos”, contou o religioso, que celebrou a primeira missa de Vera Cruz no domingo, 26 de abril.

Metais Preciosos
Na noite de sexta-feira, 24 de abril, dois nativos foram levados a nau de Cabral, e durante a visita, a tripulação levantou a dúvida sobre existência de metais preciosos na ilha recém-descoberta. “Um dos homens fixou o olhar no colar de ouro do capitão e apontou em direção a terra, dando a entender que ali existiam pedras semelhantes. Ele fez o mesmo gesto com um castiçal de prata e até com um papagaio”, explicou o escrivão Pero Vaz.

No entanto, as informações ainda não passam de suspeitas a serem investigadas. “Não podemos dar certeza de que o homem estava indicando a existência de ouro, pois, além de não o entendermos muito bem, ainda não encontramos nada durante nossas expedições”, ponderou o escrivão.

Previsões
A esquadra pretende deixar a Ilha de Vera Cruz no dia 2 de maio, e seguir caminho para as Índias. “Antes de retornamos a Portugal, iremos cumprir o objetivo inicial da nossa viagem e tentaremos atar relações comercial com os portos índicos. Mas, enquanto isso, enviaremos a Lisboa uma carta descrevendo os pormenores de nossa descoberta a Vossa Majestade, D. Manuel I”, finalizou o capitão Cabral.

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