quinta-feira, 29 de abril de 2010

Reportagem sobre a Carta de Pero Vaz de Caminha

Novas terras descobertas

Frota portuguesa encontra ilha no caminho para as Índias Orientais

No dia 22 de abril, o capitão Pedro Álvares Cabral e sua tripulação descobriram terras novas durante sua expedição a caminho das Índias Orientais. “No dia anterior, topamos com alguns sinais de terra: avistamos uma grande quantidade de ervas compridas e logo no dia seguinte pudemos ver alguns pássaros. Não demorou muito para que nossas suspeitas se confirmassem”, contou Pero Vaz de Caminha, escrivão oficial da frota. As terras receberam o nome de Terra de Vera Cruz e, após algumas expedições, foi constatado que são muito ricas em recursos naturais.

Os Habitantes

O primeiro a desembarcar nas terras recém-descobertas foi o capitão Nicolau Coelho, que foi recepcionado por cerca de 20 nativos que foram se juntando na praia. “Não foi possível estabelecer alguma comunicação com eles, pois é difícil compreender o que eles dizem e nenhum deles fala português”, explicou o capitão.

Além do dialeto próprio, os habitantes também tem costumes diferentes, uma vez que andam nus, com algumas pinturas pelo corpo, como afirmou Nicolau Coelho, que foi recebido pelos nativos em posse de arcos e flechas, mas que se apresentaram pacíficos com os novos visitantes: “Eles abaixaram as armas logo quando pedimos”.

Depois de alguns dias de contatos com os indígenas, o padre frei Henrique realizou, no domingo de Páscoa, a primeira missa no lugar, que foi acompanhada tanto pelos portugueses quanto pelos índios. “Acredito que não chegamos até aqui por acaso. Se nós conseguíssemos entender o que eles falam e eles a nós, com certeza se tornariam cristãos. Portanto, é nosso dever cuidar da salvação deles e, dessa forma, expandirmos a santa fé católica”, concluiu o padre.

Os Recursos

Ainda não foram encontrados vestígios concretos de que haja metais preciosos nessas terras. “Durante uma visita a um dos nossos navios, um deles fixou o olhar no colar do capitão e começou a acenar para a terra, como se quisesse dizer que ali havia ouro. Apontou igualmente para um castiçal de prata e um papagaio e repetiu o gesto em direção à ilha”, contou Pero Vaz. Porém, nenhum dos tripulantes portugueses encontrou nada parecido com ouro ou prata durante as inspeções feitas às terras. “Não podemos afirmar com certeza que o homem indicava a existência de ouro nesse lugar, pois não compreendemos o que eles falam. Mas a terra em si é de muitos bons ares e possui água em abundância. Querendo aproveitá-la, tudo dará nela”, disse o escrivão.

A frota pretende deixar a ilha no dia dois de maio e seguir caminho para as Índias. “O melhor fruto que poderemos tirar daqui será salvar essa gente. Ainda não temos previsão de volta, mas Vossa Alteza D. Manuel I traçará um plano para que voltemos para batizá-los e educá-los na nossa Santa Fé”, afirmou o escrivão que se encarregou de escrever uma carta ao rei de Portugal, relatando tudo o que vira na nova terra.

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