domingo, 18 de abril de 2010

Erros frequentes

Na última aula de redação jornalística, foram apontados e corrigidos os erros nas matérias da carta de Pero Vaz de Caminha. Os erros e dúvidas mais frequentes foram:

A sinuca temporal: antes mesmo de começar a redigir o texto, poderiam ser pensadas duas maneiras de contar os fatos. Uma seria considerando que Portugal descobriu ontem a existência de novas terras, e outra seria como se ontem tivesse anunciado essa descoberta. As duas maneiras estão corretas. Mas ao escolher a primeira opção é preciso tomar cuidado. Boa parte da carta deve ser desconsiderada porque fala de acontecimentos de dias depois. Esse item e o abaixo são as duas maiores “pegadinhas” deste trabalho.

A linguagem de Caminha: o excesso de adjetivos e descrições não precisa ser repetido na matéria. Principalmente as palavras e expressões mais arcaicas. Uma maneira de solucionar esse problema pode ser tornando essas frases ou expressões citações do escrivão português. Para isso, o uso de aspas ou travessão é indispensável.

Citações: devem sempre vir com aspas ou travessão para indicarem que são falas de outras pessoas. É permitido começar o texto com uma citação, mas não é ideal. Justamente por ser uma forma fácil. Se o conteúdo da citação for de impacto é válido o uso desse recurso.

Concordância: quando o verbo fica afastado do sujeito é comum haver erro de concordância. Assim como o uso de expressões como “boa parte de”. Ex.: Em “Boa parte dos indígenas interagiram”, o verbo deve permanecer no singular: boa parte dos indígenas interagiu. A regra é simples: o verbo concorda em número e pessoa com o sujeito da oração. Uma dica é ler em voz alta antes de imprimir, dessa forma fica mais fácil perceber os erros de concordância. Na página 129 do Manual da Folha está a tabela com os casos que merecem atenção especial.

Pleonasmo: evite sempre o uso de termos redundantes, como em “os habitantes dessa terra” e “pintado de tintas”. A expressão “segundo afirmou”, usada em citações, também é redundante.

Preciosismo: evitar palavras complicadas e pouco usadas na linguagem oral. A linguagem jornalística é restrita, fica entre o oral e o formal para se aproximar do leitor, que deve ser seduzido para que não abandone a leitura. Prefira usar “tem” em vez de “possui”, “depois” em vez de “após”, “usa” em vez de “utiliza”, isso torna o texto mais simples e fácil. Enquanto estiver lendo o texto em voz alta, pense se é uma palavra do dia-a-dia ou se seria melhor trocar por outra mais comum.

Tradução de termos antigos: é pouco provável que o leitor conheça o significado de “carapuça”, “sombreiro” ou até mesmo “nau”. São palavras praticamente desconhecidas atualmente. Portanto não deixe para o leitor o trabalho de ir procurar no dicionário. O repórter deve ser um tradutor, levar tudo mastigado para seu leitor. Termos antigos ou específicos de uma área devem ser explicados e, se necessário, colocados em um box como um glossário.

Ausência de nomes ou cargos: é preciso identificar os personagens, mostrar quem é o quê na história. Exemplo: “O capitão avistou...” deveria também ter o nome do capitão, por mais que em toda a carta não seja mencionado. É aí que entra o trabalho de pesquisa e apuração. Da mesma forma, estaria incompleto se fosse “Pedro Álvares Cabral avistou”, o leitor não poderia saber quem é Cabral, nem adivinhar que era o capitão do navio.

Espaços entre palavra e vírgula ou ponto: muitas vezes pode ser um erro de digitação, mas tenha atenção, nenhum chefe ou revisor vai querer ficar corrigindo vírgula por vírgula do seu texto. O certo é colocar a vírgula (ou ponto) junto à palavra da esquerda e com um espaço da que está à direita: palavra, exemplo.

Como escrever números: de um a dez são escritos por extenso. Em algarismos, de 11 a 99, 101 a 999 e 1001.

Para uma melhor visualização, números iguais a 10 mil ou maiores são escritos com o algarismo seguido da palavra que designa ordem de grandeza. Exemplo: 5 milhões, 10 mil.

O cem varia, pode ser escrito assim (cem) ou em algarismo, 100, pois as duas formas ocupam o mesmo número de caracteres.

A exceção é para dizer a idade, sempre em numerais: 5 anos de idade. Atenção: tempo corrido, como em “cinco anos atrás” continua a obedecer à regra acima.

Hora: 1h 30, 10h da noite (e não 22h)

Data: no dia 21 de abril, ou no dia 6 de abril. O dia em algarismo e o mês escrito por extenso.

Obs.: No início de frases, escreva os números por extenso.

Ver página 90 do Manual da Folha!

Crase: não há crase antes de palavras masculinas (a não ser que esteja implícito o “à moda de” ou um termo feminino: Móveis à Luís 15; Vou à [praça] João Mendes), verbos, pronomes. Uma dica é substituir a palavra por uma masculina e observar se há junção do artigo com a preposição. Para lugares, use o truque do fui/voltei: Fui à Itália/voltei da Itália, fui a Paris/voltei de Paris.
Fui a, voltei da, crase já! Fui a, voltei de, crase pra quê?

Ver página 131 do Manual da Folha!

Uso de próclise e mesóclise: não são utilizadas no dia-a-dia, não caem bem no texto. Deixá-las-emos de lado.

• Afirmações do repórter: o repórter não deve afirmar nada, a não ser que tenha estado lá e visto. Essas afirmações e impressões devem ser colocadas como fala do entrevistado, ele sim é sua fonte e pode fazer afirmações.

Falta de preocupação com as perguntas básicas do lide: O quê? Quando? Como? Onde? Por quê?

Dados errados: as datas são confusas, pois a carta de Caminha é um relato de vários dias, o descobrimento ficou datado de 22 de abril, mas no dia 21 começaram a avistar as terras. Em nenhum momento também ele cita o nome do rei, o repórter deve então pesquisar e informar corretamente quem era o rei. No caso se tratava de Dom Manuel, e não D. João VI.

Personificação: a atribuição de uma ação a um objeto, exemplo: “segundo relatos dos pequenos navios (...) depararam-se”, “ embarcações avistaram”. Navios e embarcações não relatam, não se deparam nem avistam nada, mas as pessoas que estão nessas embarcações.

Cargos: presidente, rei, papa, padre, cargos em geral devem ser escritos em caixa baixa.

Imprecisão: “estaria a caminho”, “navegou por meses”, são exemplos que devem ser evitados. É importante ter certeza dos fatos, ou pelo menos dar uma noção do tempo, podendo substituir por “cerca de dois meses”.

Ao qual e o qual: tente não usar ao qual e o qual, mesmo que seja para evitar uma ambiguidade. Reescreva a frase e tente novas estruturas.

Hífen: em termos compostos com os elementos além, aquém, recém e sem o hífen deve ser usado. Exemplo: recém-descoberto, além-mar, sem-número. Sempre que houver dúvida procurar o novo acordo ortográfico disponível no site da Academia Brasileira de Letras: www.academia.org.br

Pontos cardeais: em caixa alta. Exemplo: Atlântico Sul. No caso de indicar direção deve ser em caixa baixa: ao sul do Brasil.

Sugestões:

- Ler seu texto em voz alta antes da impressão. É importante treinar o ouvido para identificar falhas
- Treinar o olhar técnico ao ler uma reportagem. Ler umas quatro vezes uma reportagem grande e identificar as características da linguagem jornalística
- Usar o bom senso

Bom, espero não ter cometido muitos desses erros aqui no post! E contribuam postando as matérias!

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