quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sem Diploma


A imprensa é um exército de vinte e seis soldados de chumbo
com o qual se pode conquistar o mundo.
- Johannes Guttemberg

Enquanto você lê este parágrafo, um terço da humanidade passa fome. No mundo inteiro, 67 pessoas morrem e 204 nascem. Ao mesmo tempo, 33 mil toneladas de gás carbônico estão sendo emitidos na atmosfera. Só no YouTube, 24 horas de vídeos são colocados no ar e milhões de operações bancárias estão sendo realizadas por todos os cantos do globo.

O mundo não para. E assim acontece também com aqueles que são os responsáveis por documentar e cobrir diariamente – ou melhor, a cada minuto – os mais variados fatos que explodem planeta afora. Crimes, emergências, investigações, chuvas, crises, resgates, descobertas, revoluções – vida. Isso é jornalismo. Isso é ser repórter.

A tarefa, no entanto, é árdua. É preciso ter consciência. Comunicar, antes de tudo, significa uma práxis. É pesquisar, questionar, analisar a realidade para agir sobre ela, transformá-la. Ser repórter é dar-se conta da multiplicidade de vozes sociais. Ser repórter é, em um estado de vigília contínua, lutar por uma sociedade mais justa para todos. É brigar por pautas que não interessam à chefia. É fazer jus à representação dos representados. É, sobretudo, honrar a palavra credibilidade.

Mas, antes de tudo, é preciso vontade e coragem para errar. Por isso este espaço, dedicado a erros e acertos, a dúvidas e questionamentos; enfim, ao ponta pé inicial que é o aprendizado de todo dia e que, seguramente, vai nos acompanhar até o fim dos dias. Se tudo der certo, quando chegarmos lá, vamos olhar para trás e perceber que, afinal, não estivemos só de passagem.

Com ou sem diploma, há muito o que praticar. E está dada a largada.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Reforma visual da Folha de S. Paulo

No último domingo, 23 de maio, a Folha de S. Paulo apresentou seu novo visual. Contando com letras maiores, cores mais atraentes e uma diagramação que simplifica a leitura, a Folha está se adaptando aos novos tempos. Aqui estão quatro links que mostram quais são as novidades do jornal no papel e na internet:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/739057-informacao-exclusiva-de-cara-nova.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/poder/739055-reforma-visual-facilita-a-leitura-e-aumenta-identidade-entre-os-cadernos.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/739063-documentario-revela-bastidores-das-mudancas-na-folha.shtml

http://edicaodigital.folha.com.br/home.aspx

domingo, 16 de maio de 2010

Vírgula

É o sinal de pontuação mais usado, portanto o que gera maior número de erros. A vírgula não deve separar elementos que têm relação sintática direta, como sujeito e verbo, verbo e complementos, nomes e complementos. Por mais longo que seja o sujeito, não haverá vírgula que o separe do predicado: O novo diretor de recursos humanos da recentemente privatizada empresa de correios afirmou que será necessário contratar mais de mil carteiros. Veja os casos mais importantes de emprego da vírgula:

1) Nas enumerações de termos ou orações: Subiram ao palco para receber os aplausos o diretor, o cenógrafo, o contrarregra, o iluminador e o sonoplasta. Ela pinta, dança, borda e canta como ninguém.

2) Para isolar qualquer elemento explicativo (isso é, a saber, aliás, ou seja), aposto, vocativo: Fulano, governador do Estado, pretende ser presidente da República. Fulano, não se esqueça de comprar as cervejas. O presidente com sua mulher, fulana, durante o desembarque na Base Aérea de Brasília. Note que, sem as vírgulas, fulana deixa de ser aposto explicativo e passa a ser restritivo, o que muda radicalmente o sentido: de única mulher passa a ser uma das mulheres.
Com aposto restritivos, não há vírgula: O ex-presidente do Banco Central João da Silva dá entrevista no Rio de Janeiro.

3) Para isolar adjuntos adverbiais, em especial quando deslocados e muito longos: No momento da volta ao palco para receber os aplausos, a atriz já estava sem maquiagem. Durante os dois seminários, o presidente criticou duramente os industriais. O presidente, durante os dois seminários, criticou duramente os empresários.
Com advérbios curtos, a pontuação torna-se optativa: Ontem o presidente criticou.../ Ontem, o presidente criticou.../ O presidente ontem criticou.../ O presidente, ontem, criticou... Em casos como esse, é fundamental lembrar que a vírgula deve isolar p adjunto, ou seja, devem ser colocadas duas vírgulas (ou nenhuma) quando o termo estiver intercalado.

4) Para separar orações adverbiais antepostas: Se não derrotar o Palmeiras, o Corinthians estará eliminado. Embora fizesse calor, todos levaram agasalhos.
Se a oração adverbial vier depois da principal, a vírgula será optativa: O Corinthians estará eliminado (,) se não derrotar o Palmeiras. Torna-se obrigatória, porém, se a oração adverbial for muito longa: O governador está isolado, embora todos os líderes dos partidos que lhe dão sustentação neguem esse isolamento.

5) Antes de conjunções adversativas como mas, porém, entretanto, etc.: O funcionário concordou em dar entrevista, mas não quis se identificar. Mesmo em títulos, essa vírgula é obrigatória: Gasolina sobre, mas fulano não admite reajuste de preços.

6) Para separar orações adjetivas explicativas: A escola tem 137 alunos, que trabalham durante o dia. Note que, sem a vírgula, há total alteração de sentido: A escola tem 137 alunos que trabalham durante o dia. No primeiro caso, com a vírgula, a escola tem exatamente 137 alunos, e todos trabalham durante o dia. Sem a vírgula, a escola passa a ter mais de 137 alunos, dos quais 137 trabalham durante o dia.

7) Para indicar elipse de verbo: O reitor da USP votou contra a proposta; o da Unicamp, a favor.

8) Para separar conjunções contíguas: Os industriais afirmam que, se o mercado reagir, a produção poderá ser aumentada rapidamente. A produção foi diminuída, mas se o mercado reagir, poderá voltar rapidamente ao nível anterior.

9) Não use vírgula antes de e que introduza oração com o mesmo sujeito: Os deputados foram a Brasília e lá se encontraram com o presidente do partido. Em textos assinados, se o autor tiver optado pela vírgula (que nesses casos é chamada de vírgula de ênfase), deixe-a: O presidente é refém do seu partido, e não poderá jamais se livrar disso.
Se a oração iniciada por e tiver sujeito diferente do da anterior, a vírgula será obrigatória se for necessário desfazer possíveis ambigüidades: Fulano convida sicrano, e beltrano anuncia moratória. Sem a vírgula, num primeiro momento, seria possível entender sicrano e beltrano como complemento do verbo convidar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Regras de Pontuação e Declarações Textuais

1) Nas Declarações Textuais: aspas valorizam o texto, mostram que houve preocupação do repórter em recolher opiniões ou utilizar frases originais.

Recomendações:

a) Saber dosar as declarações. Nem muito grandes, para não ficarem cansativas e parecerem sem critério e nem curtas demais para não levantar a dúvida se o repórter falou efetivamente com o entrevistado ou não.

b) Procure usar declarações textuais a cada um ou dois parágrafos. Uma frase por parágrafo seria uma boa medida.

c) Saber usar bem as aspas. Exemplos:

*Errado: A advogada Denise Barros, que passava pelo local, diz que "foi horrível ficar presa no trânsito durante quatro horas".

*Recomendável: "Foi horrível", disse a advogada Denise Barros, que passava pelo local. "Fiquei presa no trânsito durante quatro horas."

OBS: Depois da segunda frase não houve necessidade da utilização de outro verbo declarativo. Fica claro que é a mesma pessoa quem fala.

OBS2: Reparem que no primeiro caso, as aspas são abertas no meio da frase que havia sido iniciada por A advogada. Ao fechá-las, portanto, o ponto final fica depois delas. No segundo caso, como as aspas abrem a segunda frase que se inicia com Fiquei presa, o ponto final fecha a frase antes da colocação das aspas.

d) Não colocar ponto para dar continuidade a uma declaração entre aspas.
Exemplo: "Foi horrível. Fiquei quatro horas presa no trânsito", disse a advogada Denise Barros.

O recomendável é quebrar a frase: "Foi horrível", disse a advogada Denise Barros. "Fiquei quatro horas presa no trânsito."

e) Apenas em transcrições de discursos, pronunciamentos, documentos oficias se permite a inclusão de mais de uma frase entre aspas. Ainda assim, com a ressalva de que a indicação virá sempre antes do trecho reproduzido e não depois para que o leitor saiba desde o início da declaração quem está "falando".

Exemplo certo: Explicou o presidente: "Em 1950, havia dois partidos de um só criador, Getúlio Vargas. Os líderes... candidato do PTB. Afinal, eram todos ex-governadores nomeados por ele. A situação agora é muito diferente."

Exemplo errado: "Em 1950, havia dois partidos de um só criador, Getúlio Vargas. Os líderes... candidato do PTB. Afinal, eram todos ex-governadores nomeados por ele. A situação agora é muito diferente", explicou o presidente.

OBS: Em entrevistas ou na reprodução de declarações isoladas, esta forma está vetada.

f) Declarações devem ser transcritas com fidelidade, mas adapte o texto às normas gramaticais, acerte concordâncias, elimine repetições e contorne vícios de linguagem. No entanto, não adapte o texto de forma que a declaração assuma caráter artificial.
Exemplo: Uma jovem cantora nunca diria uma frase como esta: "Tudo entre nós sempre foi resolvido no seio da família."

Pode haver casos em que convenha ressaltar os erros ou formas estranhas das declarações dos entrevistados.

g) Abra e feche aspas cada vez que truncar declaração por observações introduzidas no texto: "A Nação". prosseguiu o deputado, "espera agora que o governo finalmente revele os nomes dos corruptos."

2) Nos Diálogos:

Usar travessões e não aspas:

Com um largo sorriso, o presidente disse ao visitante:
_O senhor chegou na hora. O chefe do Gabinete comunicou então a presença de mais um convidado.
_Antônio Carlos, você foi um tigre _ saudou o presidente. _ Por aqui, senhores. E se dirigiu com os dois recém-chegados para o salão de recepção.

3) Pontuação:
Aplicam-se aos títulos as mesmas regras de pontuação dos textos comuns.

*Não use dois pontos para introduzir retranca ou procedência: França: cresce o número de acidentes / Terras: governo muda legislação / Caso Seplan: mais um indicado.

*Não coloque também retranca ou procedência no fim do título: Moscou afasta o ministro da Defesa: caso Cessna / Funcionário é baleado dentro do carro: Sergipe.

*Não use vírgula para indicar retranca (caso em que também os dois-pontos são vetados): Eliachar, delegando procurado / Apartamentos, o ministro vai explicar.

*Não use ponto de interrogação nos títulos: O cacau, a caminho da privatização? / Como cortar 44 bilhões do déficit?

*Use aspas no título para as palavras que, segundo as normas da redação, vão em negrito no texto: Autor renega "Os Homens do Espaço" / Gil grava "Chão de Estrelas" / "Gugu" vai deixar o caso Anastácio.

*Os títulos inteiramente entre aspas estão vetados, a não ser em dois casos: sub-retrancas e títulos auxiliares de entrevistas.

*Em casos especiais, o ponto-e-vírgula pode ser usado para indicar duas informações diferentes contidas no mesmo texto: Governo divulga plano; bolsas caem.

*Lembre-se que estão vetados os títulos com pontos (ressalvados os casos de excepcionalidade, mas sempre com a permissão da Direção da Redação). Não use exemplos como: Tiros na mata. Para salvar jacarés / A cidade quer o porto. Mas não a esse preço / Os dois meninos saem a passeio. E não voltam.















terça-feira, 11 de maio de 2010

Matéria da aula de Segunda-Feira - 10/05/2010

Vídeo introdutório
http://www.youtube.com/watch?v=sIFYPQjYhv8


Jornalismo 2.0
  • Não aceitam pagar
  • Não aceitam esperar
  • Interatividade
  • Jornalismo cidadão – texto/fotografia
  • Diferenças entre TV, rádio, txt e web vão desaparecer

Jornalista multimídia
  • Reportagem assistida por computador
  • Texto noticioso
  • blog
  • twitter
  • foto
  • posdcast
  • vídeofilmagem/videoedição/vídeoapresentação
  • diagramação
  • design de site
  • marketing social
  • empreendedorismo

Ver edição da Plug – revista do Curso Abril de Jornalismo
http://issuu.com/plug/docs/plug2009

Ver cópia do manual de redação do Huffington Post – pasta

Ver novas habilidades para o jornalista –
http://mashable.com/2009/12/09/future-journalist/

http://mashable.com/2009/06/19/teaching-social-media/

http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=en/node/5955
http://www.slideshare.net/jdlasica/the-new-journalist-in-the-age-of-social-media

http://www.fastcompany.com/blog/kit-eaton/technomix/blogging-dead-long-live-journalism]


Manual de mídias sociais para jornalistas
http://mashable.com/2009/09/18/facebook-journalism-columbia/

http://mashable.com/2009/11/11/twitter-media-landscape/

http://mashable.com/2009/08/03/facebook-journalism/

http://mashable.com/2009/05/14/twitter-journalism/

http://mashable.com/2009/11/17/youtube-direct/



Aprendizagem
  • RAC – Reportagem assistida por computador

http://www.slideshare.net/cintiaenathalia/trabalho-rac

http://toledol.com.br/about/

http://hackerjournalist.net/

O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas abriu o processo de seleção para a segunda edição do curso gratuito Introdução à Reportagem com Auxílio do Computador (RAC). O treinamento será ministrado entre 28 de setembro e 25 de outubro pelo coordenador de cursos e projetos da Abraji José Roberto de Toledo. As inscrições podem ser feitas até às 19h do dia 13 de setembro. As vagas são limitadas e o Centro Knight espera uma alta demanda. Os alunos selecionados devem ser jornalistas brasileiros que trabalham em período integral em meios de comunicação impressos, eletrônicos ou online com no mínimo três anos de experiência jornalística. Será dada prioridade a quem trabalhar em campo e demonstrar interesse em aplicar técnicas de jornalismo investigativo em matérias de profundidade.
O curso tem duração de quatro semanas intensivas e os participantes dedicarão em média 10 horas semanais a ele. Serão vistos tópicos como técnicas de pesquisa na Internet, como utilizar melhor as capacidades de ferramentas de pesquisa, uso de planilhas eletrônicas aplicadas ao jornalimo, organização, filtragem e cálculo de dados, introdução ao banco de dados e a ferramentas gratuitas e pagas. É esperado que os participantes façam exercícios semanais sobre os tópicos do curso e participem de discussões em fóruns. Para participar, é necessário também ter acesso à internet com boa conexão e ao programa Excel. Os jornalistas selecionados serão notificados na semana do dia 23 de setembro. Aqueles que completarem o curso com sucesso receberão um certificado de participação do Centro Knight.

  • Knight Foundation
http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=pt-br/node/4915

  • Poynter Institute
http://www.cyberjournalist.net/starting-your-news-website-a-checklist-for-students-and-mid-career-beginners/

Starting your news website: A checklist for students and mid-career beginners
Here is a check-list of technical tools that you’ll need to get a basic, one-person news site on the Web, to lay a foundation for future expansion and success:


Links importantes
  • ohmynews

  • Sports Ilustrated

http://www.youtube.com/watch?v=ntyXvLnxyXk&feature=player_embedded


  • Site Rio Show
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/12/10/rio-show-estreia-novo-site-915146198.asp




Política


Novidades

Realidade aumentada
http://mashable.com/2009/11/09/esquire-augmented-reality-2/

http://www.fastcompany.com/magazine/140/augmented-reality-swoops-in.html?page=0,1&partner=homepage_newsletter


UStream Live (http://www.ustream.tv/discovery/live/all): essa é uma plataforma de exibição de vídeo, mas a novidade é que agora, é possível transmitir sua vida ao vivo, a partir de uma webcam ou do iPhone. Vc está em qualquer lugar e quer mostrar o que está fazendo, ao vivo, para todo mundo. Pode fazer isso. Cada usuário vira um broadcaster, transmitindo ao vivo o que quiser. A transmissão é acessável através de um link que o usuário manda para os outros. Na página do UStream Live há integração com ferramentas de rede social, para compartilhar o que está sendo exibido. Vi alguns vídeos lá, ao vivo. As TVs estão no UStream, mas o mais interessante, evidentemente, é ver o que pessoas comuns estão fazendo dentro do UStream.

Living Stories: essa é uma novidade que está no Google Labs. A gente está pesquisando literatura, mas a questão da narrativa está na ordem do dia de todo mundo, inclusive dos jornais e do Google, que fizeram essa parceria no Labs. Em parceria com o NYT e o Washington Post, o Google criou um produto para narrar histórias na web, porque o que está disponível hoje nos sites de informação, em geral, é a notícia contada do mesmo jeito que estaria no jornal, apenas com uns hiperlinks que a tornam um pouco mais atraente. Um jeito de narrar na web não foi encontrado ainda. Nesse sentido, essa parceria tenta apontar para um formato de "escrita" na web, um formato de contar histórias na rede, de um jeito que a rede comporta e que o jornal, não.
http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2009/12/09/google-new-york-times-washington-post-querem-renovar-forma-de-apresentacao-de-noticias-online-915119247.asp

Web 3.0 em 3D
If Web 1.0 was all about companies selling stuff to you, and Web 2.0 is about information sharing and user-participation, then what's Web 3.0 going to be? It might be a whole new angle on browsing, for one: In three dimensions.
You're probably reading this Web page on a flat screen. The text and graphics of the site are pretty much like a digital magazine with linear flowing text that shapes around embedded photos and flat-rendered imagery distributed around the page. And just about any page you surf off to elsewhere on the Web will have pretty much the same format. Yet when the work day is over and you boot up World of Warcraft (or pretty much any modern game) you immerse yourself in a rich graphical environment that is more visual than text-based, and has representative 3-D image rendering. Why isn't the Web experience a bit more like this? Well, it might be one day soon.
http://www.fastcompany.com/blog/kit-eaton/technomix/todays-vision-tomorrow-web-30-3-d

Jornalistas substituídos por algorítimos
http://www.fastcompany.com/blog/kit-eaton/technomix/automated-aol-news-heralding-future-online-news-writing?partner=homepage_newsletter

Google wave
http://mashable.com/2009/11/22/news-media-google-wave/

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Crítica

O Faro de Vander Lee
Em seu novo disco, o cantor e compositor mineiro troca o samba por toques eletrônicos, mas sem perder a personalidade.


Numa época em que as rádios estão saturadas de Rebolation, bandas coloridas e funk, o CD Faro de Vander Lee se mostra como uma ponta de esperança de salvação para a música popular brasileira. O sexto disco do cantor e compositor mineiro, que já teve músicas regravadas por grandes artistas como Gal Costa, Emilinha Borba, Luíza Possi e, mais recentemente, Fábio Júnior, marca uma reviravolta em sua carreira. Os sambas presentes em seus outros trabalhos deram lugar a toques eletrônicos, dando uma cara mais pop ao disco.

O segredo para a qualidade de Faro está no equilíbrio. Muitos artistas erram ao misturar intstrumentos mais tradicionais como bateria, violão e piano com toques eletrônicos, dando mais destaque a um ou a outro. Vander Lee acertou na medida de ambos que, combinados com sua voz suave e letras sensíveis resultaram em canções harmônicas, sem ruídos e que não enjoam. Faro é um daqueles raríssimos CDs onde não existe alguma música que eu não goste.

Das 12 canções do disco, 10 são de autoria do próprio Vander Lee. As exceções são Ninguém vai tirar você de mim, clássico de Roberto Carlos e uma versão musical do poema Obscuridade, homenagem a Cartola, cujo samba influenciou muito na carreira de Vander.

Ninguém vai tirar você de mim, mostra bem como Vander Lee consegue criar um som próprio, misturando vários estilos diferentes. A música, de batida mais rápida, tem um ritmo parecido com Tim Maia, com toques eletrônicos e a participação do rapper Renegado, colocando uma pitada de hip hop no final. Apesar dessa mistura, a música é harmônica. Como ele consegue isso? Não sei, mas consegue, e muito bem.

Outro detalhe interessante em Faro são as parcerias que Vander Lee fez na hora de escrever e gravar as canções. A batida mais africana de Do Bão, segunda faixa do disco, é responsabilidade de Léo Minax, responsável por, entre outras, a melodia de Causa y Efecto, do cantor uruguaio Jorge Drexler (se não ouviu, ouça!). Do Bão conta com a participação do cantor congolês Louka Kanza. Em Baile dos Anjos, uma das músicas mais belas do CD, quem participa é Regina Souza, esposa de Vander Lee. O dueto deixa o relato de um Réveillon em Copacabana ainda mais bonito.

O disco está repleto de belas canções. Eu e Ela, Cacos e Desejo de Flor são mostras de toda sua sensibilidade. Mas é em Farol que o disco chega em seu ponto alto. A música é a mais simples de todas contando apenas com piano, violão e a voz de Vander Lee. Mas, da simplicidade e de sua letra apaixonada e apaixonante, o músico, que já emocionou muita gente com Românticos e Esperando Aviões, alcança uma perfeição vista em pouquíssimas músicas. O destaque fica para a harmonia entre violão e piano na segunda parte da música, o trecho mais bonito de todo o disco (arriscando um pouco, da carreira do músico).

sábado, 1 de maio de 2010

Reportagem sobre a Carta de Pero Vaz de Caminha

Terra à vista!
Frota portuguesa descobre ilha ao oeste da África

Ilha de Vera Cruz. Esse foi o nome dado pelo capitão Pedro Álvares Cabral às terras recém-descobertas por ele e sua tripulação na tarde de quarta-feira, 22 de abril. A ilha, encontrada quase que por acaso durante uma expedição as Índias Orientais, fica 3.600km ao oeste da costa africana.

“Durante dois dias nos deparamos com sinais claros de terra à vista, até que, no dia 22, encontramos Vera Cruz. Primeiro avistamos um grande monte, depois algumas serras mais baixas, e por fim, uma praia”, contou o capitão-mor da esquadra, Pedro Álvares Cabral. A expedição saiu de Belém, em Lisboa, no dia 9 de março, com uma tripulação de 1500 homens divididos entre 13 embarcações.
As novas terras impressionam pelo tamanho, e principalmente por seus recursos naturais. “Vera Cruz parece ter uma grande extensão, além de uma quantidade abundante de água, o que nos leva a crer que é uma terra muito fértil, onde tudo que se planta, dá”, descreveu o escrivão oficial da frota, Pero Vaz de Caminha.

Os Nativos
O choque cultural e a dificuldade de comunicação marcaram o primeiro contato entre a frota portuguesa e os habitantes de Vera Cruz. ”Encontramos cerca de 20 homens na praia. Todos eles eram pardos, traziam arcos e flechas e andavam nus! Realmente era muito complicado entender o que diziam, mas pareciam pacíficos, pois abaixaram as armas logo quando pedimos”, contou o capitão Nicolau Coelho, quem inspecionou o lugar pela primeira vez.

Para o Padre Frei Henrique, não foi o acaso que levou a frota de Cabral a aportar em novas terras, e sim, o destino da coroa portuguesa de salvar esse povo. “Deus nos enviou aqui para cuidarmos dessas pobres almas. Eles são muito inocentes e não entendem nada sobre crença alguma. Mas acredito que com nossa ajuda irão se tornar bons cristãos”, contou o religioso, que celebrou a primeira missa de Vera Cruz no domingo, 26 de abril.

Metais Preciosos
Na noite de sexta-feira, 24 de abril, dois nativos foram levados a nau de Cabral, e durante a visita, a tripulação levantou a dúvida sobre existência de metais preciosos na ilha recém-descoberta. “Um dos homens fixou o olhar no colar de ouro do capitão e apontou em direção a terra, dando a entender que ali existiam pedras semelhantes. Ele fez o mesmo gesto com um castiçal de prata e até com um papagaio”, explicou o escrivão Pero Vaz.

No entanto, as informações ainda não passam de suspeitas a serem investigadas. “Não podemos dar certeza de que o homem estava indicando a existência de ouro, pois, além de não o entendermos muito bem, ainda não encontramos nada durante nossas expedições”, ponderou o escrivão.

Previsões
A esquadra pretende deixar a Ilha de Vera Cruz no dia 2 de maio, e seguir caminho para as Índias. “Antes de retornamos a Portugal, iremos cumprir o objetivo inicial da nossa viagem e tentaremos atar relações comercial com os portos índicos. Mas, enquanto isso, enviaremos a Lisboa uma carta descrevendo os pormenores de nossa descoberta a Vossa Majestade, D. Manuel I”, finalizou o capitão Cabral.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Reportagem sobre a Carta de Pero Vaz de Caminha

Novas terras descobertas

Frota portuguesa encontra ilha no caminho para as Índias Orientais

No dia 22 de abril, o capitão Pedro Álvares Cabral e sua tripulação descobriram terras novas durante sua expedição a caminho das Índias Orientais. “No dia anterior, topamos com alguns sinais de terra: avistamos uma grande quantidade de ervas compridas e logo no dia seguinte pudemos ver alguns pássaros. Não demorou muito para que nossas suspeitas se confirmassem”, contou Pero Vaz de Caminha, escrivão oficial da frota. As terras receberam o nome de Terra de Vera Cruz e, após algumas expedições, foi constatado que são muito ricas em recursos naturais.

Os Habitantes

O primeiro a desembarcar nas terras recém-descobertas foi o capitão Nicolau Coelho, que foi recepcionado por cerca de 20 nativos que foram se juntando na praia. “Não foi possível estabelecer alguma comunicação com eles, pois é difícil compreender o que eles dizem e nenhum deles fala português”, explicou o capitão.

Além do dialeto próprio, os habitantes também tem costumes diferentes, uma vez que andam nus, com algumas pinturas pelo corpo, como afirmou Nicolau Coelho, que foi recebido pelos nativos em posse de arcos e flechas, mas que se apresentaram pacíficos com os novos visitantes: “Eles abaixaram as armas logo quando pedimos”.

Depois de alguns dias de contatos com os indígenas, o padre frei Henrique realizou, no domingo de Páscoa, a primeira missa no lugar, que foi acompanhada tanto pelos portugueses quanto pelos índios. “Acredito que não chegamos até aqui por acaso. Se nós conseguíssemos entender o que eles falam e eles a nós, com certeza se tornariam cristãos. Portanto, é nosso dever cuidar da salvação deles e, dessa forma, expandirmos a santa fé católica”, concluiu o padre.

Os Recursos

Ainda não foram encontrados vestígios concretos de que haja metais preciosos nessas terras. “Durante uma visita a um dos nossos navios, um deles fixou o olhar no colar do capitão e começou a acenar para a terra, como se quisesse dizer que ali havia ouro. Apontou igualmente para um castiçal de prata e um papagaio e repetiu o gesto em direção à ilha”, contou Pero Vaz. Porém, nenhum dos tripulantes portugueses encontrou nada parecido com ouro ou prata durante as inspeções feitas às terras. “Não podemos afirmar com certeza que o homem indicava a existência de ouro nesse lugar, pois não compreendemos o que eles falam. Mas a terra em si é de muitos bons ares e possui água em abundância. Querendo aproveitá-la, tudo dará nela”, disse o escrivão.

A frota pretende deixar a ilha no dia dois de maio e seguir caminho para as Índias. “O melhor fruto que poderemos tirar daqui será salvar essa gente. Ainda não temos previsão de volta, mas Vossa Alteza D. Manuel I traçará um plano para que voltemos para batizá-los e educá-los na nossa Santa Fé”, afirmou o escrivão que se encarregou de escrever uma carta ao rei de Portugal, relatando tudo o que vira na nova terra.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Reportagem sobre a Carta de Pero Vaz de Caminha

Esperança de ouro e prata é encontrada pela frota de Capitão Cabral em véspera de Páscoa.

Terra, gente, fauna, flora e um novo mundo ainda muito pouco explorado.

O escrivão da Armada de Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de Caminha enviou ao rei D. Manuel de Portugal esta semana uma carta relatando a descoberta de uma terra de grandes extensões que poderá mudar o destino de Portugal. Entregue às mãos da realeza por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota, a carta é datada de primeiro de Maio deste ano contendo informações bastante detalhadas sobre as primeiras impressões e principalmente as expectativas que o Reino poderá manter acerca deste novo mundo.
A partida do porto de Belém foi a nove de março com o primeiro contato visual em vinte e um de abril e culminando no desembarque â terra nova no dia vinte e três deste dito mês. Neste mesmo dia, após já haverem constatado a presença de grande reserva de água potável de um rio e uma vasta extensão de árvores, os capitães da frota se depararam com nativos que, surpreendentemente tinham seus corpos completamente nus, cobertos apenas por tinta preta ou vermelha, além de estarem portando objetos como arcos e flechas.

A população local
Segundo relatos contidos na carta de Caminha, homens e mulheres locais são de pele parda, um tanto avermelhada, e com boas feições. Providos de grande inocência e sem nenhum pudor ou vergonha seus corpos bem afeitados e desenhados são deixados totalmente a amostra. Os cabelos dos homens eram bem curtos e raspados bem acima das orelhas, ao contrário dos femininos, que além de lisos eram bastante longos e escuros.
Como se o fato de estarem desnudos não fosse o bastante para a estranheza, estes homens apresentam furos de alguns diâmetros em seus lábios inferiores o que de nenhuma forma atrapalhavam seus processos de fala ou alimentação. A ausência de sobrancelhas e cílios também caracterizava a tão peculiar fisionomia destes indivíduos.
Os habitantes dessa terra, por sua interminável inocência trocavam seus pertences por qualquer coisa que se lhes ofereciam como gesto de curiosidade, confiança e receptividade. Cordões, pulseiras e chapéus se tornaram objetos de interação entre estes e os membros da tripulação.
Aparentemente os primeiros contatos tiveram resultados positivos e de cooperação, onde ambas as partes interagiram para que a convivência pudesse ser amigável.

Ouro, prata ou apenas esperança?
Conta-se que ao se deparar com o capitão da expedição Cristóvão Colombo que usava um colar de ouro, um destes receptivos homens que se aproximara do pequeno grupo de membros da tripulação em terra firme apontou em direção ao seu pescoço e em seguida em direção a terra, dando a entender que existiria a presença do mineral naquele lugar. Claramente para eles, o ouro não deve obter o mesmo valor que tem para o mundo civilizado, tendo em vista a inocência com a qual a existência deste fora apontada diante de estranhos.
Tendo em vista tal relato sobre a possível presença deste mineral tão valioso em tempos atuais, pode-se dizer que o Rei D. Manuel obteve mais do que uma motivação para prosseguir com seus objetivos de expansão e conquista de novas terras.
Nos primeiros dias de estadia na chamada por Cabral Terra de Vera Cruz, a rotina de parte da tripulação era basicamente a busca por conhecer mais os costumes dos nativos, suas condições de moradia e sustento e as probabilidades de torná-la uma possível fonte abastecedora de Portugal, para principalmente estabelecer um elo entre ambos.

No último domingo de Páscoa foi realizada a primeira missa por frei Henrique sendo esta acompanhada por todos os tripulantes que, segundo Caminha, conservavam o costumeiro prazer e devoção cristãos.
Em meio às novidades trazidas por cada descoberta, os capitães iam se dando conta do quão inofensivos e pouco providos de inteligência eram aqueles homens, apesar de não aparentarem ter religião ou devoção a algum Deus. Caminha especula sobre este fato ao sugerir que, por conta desta premissa, os portugueses poderão proporcionar a salvação de suas almas com o auxílio do Rei e da Igreja.
Estima-se que haja lá mais de trezentos nativos, tendo em vista que a extensão de terra ainda é desconhecida. Porém não há sinais de que mais alguma expedição tenha passado por aquele lugar.
Afonso Ribeiro e Diogo Dias, ordenados pelo capitão a passarem uma noite na companhia dos nativos, constataram que os indivíduos que habitavam naquela vila de aproximadamente nove ou dez casas, descreveram estas últimas como compridas, construídas de madeiras e tábuas e cobertas com palhas. Sua arquitetura é a de um espaço único e simples, sem divisões de cômodos. Havia apenas duas portas, uma em cada extremidade de cada casa. Em cada uma delas se agrupavam para dormir cerca de trinta ou quarenta pessoas.
Alimentos como inhame e sementes são consumidos e armazenados em escala razoável. Apesar de aparentarem serem pouco providos de inteligência, estes homens foram capazes de desenvolver instrumentos que os auxiliam de maneira satisfatória em seus afazeres diários.
Em meio à diversidade de tão ricas fauna e flora nunca antes vista foi que a tripulação passou seus primeiros dias na Terra de Vera Cruz.
Mesmo após alguns dias de choque cultural Vaz de Caminha relata por duas vezes que ainda pairava um receio sobre as mentes dos capitães e do restante da tripulação com relação aos nativos, muito mais do que o percebido em relação aos homens de pele parda.
Por fim, em primeiro de Maio, data da partida da frota e redação da carta, foi rezada a última missa, desta vez acompanhada pelos nativos que, gesto a gesto, imitavam os rituais cristãos seguidos pela tripulação.
Este último ato de confraternização entre tripulação e nativos fez com que Caminha se reportasse ao rei de maneira a fazê-lo crer que o cristianismo seria muito bem aceito por aqueles que ali viviam.
Ainda que tenham saído daquela terra sem a certeza de haver ouro ou prata, objetos de grande interesse e cobiça, souberam ao menos que suas condições de cultivo da terra são extremamente favoráveis assim como os recursos naturais disponíveis.
Ao final da carta, Caminha solicita ao Rei que liberte seu genro, preso por assalto e agressão na Ilha de São Tomé.
Estas são apenas algumas informações que constam na extensa e bastante detalhada carta escrita por Vaz de Caminha ao Rei D. Manuel para dar-lhe conhecimento de uma descoberta que possivelmente mudará de forma significativa a história e a vida de muitos portugueses neste início de século.

domingo, 18 de abril de 2010

Erros frequentes

Na última aula de redação jornalística, foram apontados e corrigidos os erros nas matérias da carta de Pero Vaz de Caminha. Os erros e dúvidas mais frequentes foram:

A sinuca temporal: antes mesmo de começar a redigir o texto, poderiam ser pensadas duas maneiras de contar os fatos. Uma seria considerando que Portugal descobriu ontem a existência de novas terras, e outra seria como se ontem tivesse anunciado essa descoberta. As duas maneiras estão corretas. Mas ao escolher a primeira opção é preciso tomar cuidado. Boa parte da carta deve ser desconsiderada porque fala de acontecimentos de dias depois. Esse item e o abaixo são as duas maiores “pegadinhas” deste trabalho.

A linguagem de Caminha: o excesso de adjetivos e descrições não precisa ser repetido na matéria. Principalmente as palavras e expressões mais arcaicas. Uma maneira de solucionar esse problema pode ser tornando essas frases ou expressões citações do escrivão português. Para isso, o uso de aspas ou travessão é indispensável.

Citações: devem sempre vir com aspas ou travessão para indicarem que são falas de outras pessoas. É permitido começar o texto com uma citação, mas não é ideal. Justamente por ser uma forma fácil. Se o conteúdo da citação for de impacto é válido o uso desse recurso.

Concordância: quando o verbo fica afastado do sujeito é comum haver erro de concordância. Assim como o uso de expressões como “boa parte de”. Ex.: Em “Boa parte dos indígenas interagiram”, o verbo deve permanecer no singular: boa parte dos indígenas interagiu. A regra é simples: o verbo concorda em número e pessoa com o sujeito da oração. Uma dica é ler em voz alta antes de imprimir, dessa forma fica mais fácil perceber os erros de concordância. Na página 129 do Manual da Folha está a tabela com os casos que merecem atenção especial.

Pleonasmo: evite sempre o uso de termos redundantes, como em “os habitantes dessa terra” e “pintado de tintas”. A expressão “segundo afirmou”, usada em citações, também é redundante.

Preciosismo: evitar palavras complicadas e pouco usadas na linguagem oral. A linguagem jornalística é restrita, fica entre o oral e o formal para se aproximar do leitor, que deve ser seduzido para que não abandone a leitura. Prefira usar “tem” em vez de “possui”, “depois” em vez de “após”, “usa” em vez de “utiliza”, isso torna o texto mais simples e fácil. Enquanto estiver lendo o texto em voz alta, pense se é uma palavra do dia-a-dia ou se seria melhor trocar por outra mais comum.

Tradução de termos antigos: é pouco provável que o leitor conheça o significado de “carapuça”, “sombreiro” ou até mesmo “nau”. São palavras praticamente desconhecidas atualmente. Portanto não deixe para o leitor o trabalho de ir procurar no dicionário. O repórter deve ser um tradutor, levar tudo mastigado para seu leitor. Termos antigos ou específicos de uma área devem ser explicados e, se necessário, colocados em um box como um glossário.

Ausência de nomes ou cargos: é preciso identificar os personagens, mostrar quem é o quê na história. Exemplo: “O capitão avistou...” deveria também ter o nome do capitão, por mais que em toda a carta não seja mencionado. É aí que entra o trabalho de pesquisa e apuração. Da mesma forma, estaria incompleto se fosse “Pedro Álvares Cabral avistou”, o leitor não poderia saber quem é Cabral, nem adivinhar que era o capitão do navio.

Espaços entre palavra e vírgula ou ponto: muitas vezes pode ser um erro de digitação, mas tenha atenção, nenhum chefe ou revisor vai querer ficar corrigindo vírgula por vírgula do seu texto. O certo é colocar a vírgula (ou ponto) junto à palavra da esquerda e com um espaço da que está à direita: palavra, exemplo.

Como escrever números: de um a dez são escritos por extenso. Em algarismos, de 11 a 99, 101 a 999 e 1001.

Para uma melhor visualização, números iguais a 10 mil ou maiores são escritos com o algarismo seguido da palavra que designa ordem de grandeza. Exemplo: 5 milhões, 10 mil.

O cem varia, pode ser escrito assim (cem) ou em algarismo, 100, pois as duas formas ocupam o mesmo número de caracteres.

A exceção é para dizer a idade, sempre em numerais: 5 anos de idade. Atenção: tempo corrido, como em “cinco anos atrás” continua a obedecer à regra acima.

Hora: 1h 30, 10h da noite (e não 22h)

Data: no dia 21 de abril, ou no dia 6 de abril. O dia em algarismo e o mês escrito por extenso.

Obs.: No início de frases, escreva os números por extenso.

Ver página 90 do Manual da Folha!

Crase: não há crase antes de palavras masculinas (a não ser que esteja implícito o “à moda de” ou um termo feminino: Móveis à Luís 15; Vou à [praça] João Mendes), verbos, pronomes. Uma dica é substituir a palavra por uma masculina e observar se há junção do artigo com a preposição. Para lugares, use o truque do fui/voltei: Fui à Itália/voltei da Itália, fui a Paris/voltei de Paris.
Fui a, voltei da, crase já! Fui a, voltei de, crase pra quê?

Ver página 131 do Manual da Folha!

Uso de próclise e mesóclise: não são utilizadas no dia-a-dia, não caem bem no texto. Deixá-las-emos de lado.

• Afirmações do repórter: o repórter não deve afirmar nada, a não ser que tenha estado lá e visto. Essas afirmações e impressões devem ser colocadas como fala do entrevistado, ele sim é sua fonte e pode fazer afirmações.

Falta de preocupação com as perguntas básicas do lide: O quê? Quando? Como? Onde? Por quê?

Dados errados: as datas são confusas, pois a carta de Caminha é um relato de vários dias, o descobrimento ficou datado de 22 de abril, mas no dia 21 começaram a avistar as terras. Em nenhum momento também ele cita o nome do rei, o repórter deve então pesquisar e informar corretamente quem era o rei. No caso se tratava de Dom Manuel, e não D. João VI.

Personificação: a atribuição de uma ação a um objeto, exemplo: “segundo relatos dos pequenos navios (...) depararam-se”, “ embarcações avistaram”. Navios e embarcações não relatam, não se deparam nem avistam nada, mas as pessoas que estão nessas embarcações.

Cargos: presidente, rei, papa, padre, cargos em geral devem ser escritos em caixa baixa.

Imprecisão: “estaria a caminho”, “navegou por meses”, são exemplos que devem ser evitados. É importante ter certeza dos fatos, ou pelo menos dar uma noção do tempo, podendo substituir por “cerca de dois meses”.

Ao qual e o qual: tente não usar ao qual e o qual, mesmo que seja para evitar uma ambiguidade. Reescreva a frase e tente novas estruturas.

Hífen: em termos compostos com os elementos além, aquém, recém e sem o hífen deve ser usado. Exemplo: recém-descoberto, além-mar, sem-número. Sempre que houver dúvida procurar o novo acordo ortográfico disponível no site da Academia Brasileira de Letras: www.academia.org.br

Pontos cardeais: em caixa alta. Exemplo: Atlântico Sul. No caso de indicar direção deve ser em caixa baixa: ao sul do Brasil.

Sugestões:

- Ler seu texto em voz alta antes da impressão. É importante treinar o ouvido para identificar falhas
- Treinar o olhar técnico ao ler uma reportagem. Ler umas quatro vezes uma reportagem grande e identificar as características da linguagem jornalística
- Usar o bom senso

Bom, espero não ter cometido muitos desses erros aqui no post! E contribuam postando as matérias!

sexta-feira, 26 de março de 2010

aula diferente de redação

Para os desinformados, este é o blog da turma de Redação Jornalística I da Escola de Comunicação da UFRJ. Aqui, o pessoal vai treinar, errar e acertar, até aprender a fazer um lide direitinho. Cuidado: a professora tem pavor de nariz-de-cera, erro de concordância e vírgula separando sujeito de verbo.
Na dúvida, consultem os manuais de redação da Folha, do Estadão ou do Globo. E preparem-se: vamos inverter muitas pirâmides daqui para a frente.